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SOBRE A EXPOSIÇÃO CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO

As inspirações artísticas que caminham junto da produção do quadro partem de muitos vetores. Narrativas orais como as histórias da infância do artista Flávio Dirceu, sua ancestralidade, a história oficial da cidade, as pinturas de Jô Rabelo, as narrativas dos moradores e as paisagens locais.

A artista riograndense Jô Rabelo é conhecida por pintar as paisagens locais, geralmente, as remetendo a um tempo do passado. Um dos seus quadros mais conhecidos, “Igreja Matriz” serviu como grande inspiração para o quadro “Capela de São Sebastião” do também artista riograndense Flávio Dirceu. Buscando refletir e trazer um novo olhar sobre a iconografia da cidade, Flávio ressignificou o São Sebastião, santo católico e padroeiro da cidade, como um jovem negro com vestes contemporâneas. Em suas mãos, ele carrega a Capela de São Sebastião, edifício histórico datado de 1611. A obra traz algumas influências também do surrealismo e do cartoon.

Um homem negro com corte de cabelo contemporâneo. Ele usa peças de roupa que remetem a imagem de certa juventude riograndense que se deixa ver cotidianamente: óculo de sol e bermuda larga vermelha. Ele está totalmente à vontade repousado sob um céu de nuvens, que por sua vez, remete ao céu do município. Com a mão esquerda, o personagem aponta de forma despojada para a parte direita do quadro, representando a direção e o caminho a ser seguido. Já na mão direita, ele segura a Capela de São Sebastião. Sobre a sua cabeça encontra-se uma auréola e em seu peito um furo de onde escorre um pequeno fio de sangue vivo, ambos elementos simbólicos que remetem ao santo retratado. A faixa que envolve o seu corpo e a guirlanda na parte superior evocam certa iconografia mitológica clássica. Na parte superior, a guirlanda é constituída por um pé de Cambuci, planta típica da Mata Atlântica e um dos símbolos da região.

Foram realizados esboços em A4, estudos de anatomia, de folhagens, da arquitetura da Capela, cores, sombreamentos e outros elementos. Após os estudos, a imagem foi transferida e ampliada para a tela, que tem 1,20m X 0,80m de tamanho.

A pintura se seguiu utilizando técnicas mistas a depender da necessidade que foi sendo sentida durante o processo criativo. Entre elas a “alla prima” (efeito a partir de uma única camada de tinta), a “veladura” (efeito a partir da aplicação de camadas mais finas de pigmento sobre camadas mais grossas) e o “sfregazzo” (efeito de “borrar” para criar sombras e profundidade). A tinta óleo, em particular, se mostra um material complexo de lidar, pois demanda um tempo maior para secagem com relação a outros tipos de pigmentos mais convencionais como a tinta acrílica.

Foram utilizados vários pincéis de diversos formatos e materiais, naturais e sintéticos, conforme foi-se sentindo a necessidade. Apesar de ter algumas cores já prontas, durante o processo foram experimentadas e utilizadas várias misturas. De maneira geral, os principais tons utilizados foram: Terra de Siena Queimada, Amarelo de Cádmio e Vermelho de Cádmio para os tons de pele; Violeta Cobalto e Laca Orquídea para o seu cabelo; Vermelho de Cádmio para a bermuda; Branco de Titânio e Azul Cobalto para a Capela; Amarelo de Cádmio e Verde de Vessie para as folhagens e frutos; Amarelo de Cádmio para a auréola; Azul Cobalto e Azul Cerúleo para o fundo. Como dito, as cores aparecem em formas puras, mas também em misturas, iluminadas com Branco Titânio e sombreadas com Preto.

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©2021 por Olhares e Trajetos sobre a Serra.

A Exposição Capela de São Sebastião é uma das contrapartidas do projeto Olhares e Trajetos sobre a Serra 

aprovado pela Lei Federal de Emergência Cultural 14.017 Aldir Blanc através do Edital 04/2020.

CULTURA RGS DE FOMENTO ÀS ARTES E DE INCENTIVO A CULTURA DA CIDADE DE RIO GRANDE DA SERRA.

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